quinta-feira, 5 de abril de 2012

SEMANA LOLLA: Bandas indies resgatam visual extravagante do rock

Tipo Uísque, Os Azuis, Johnny Hooker e Banda Uó quebram a caretice nos palcos

Quando pensamos nos personagens icônicos da música, surgem instantaneamente figuras como: David Bowie, Keith Richards, Ney Matogrosso... Estes astros “causaram” no universo pop não só porque estavam na vanguarda do som, mas também pela ousadia ao se vestir. Só que a extravagância no palco se desgastou e, hoje, são poucos os novos roqueiros que radicalizam no guarda-roupa. Mas isso parece estar mudando. Vasculhando o cenário alternativo do Brasil, há bandas iniciantes dispostas a vestir uma jaqueta de paetês ou uma calça legging de oncinha para mudar a situação. Grupos como os cariocas Tipo Uísque e Os Azuis e a goiana Banda Uó estão aí para servir de exemplo.

( Rapaziada da banda Os Azuis acham que o público saca as roupas nos shows)

A ideia dessa galera é espantar a monotonia. Eles querem conquistar o amor dos fãs pelos ouvidos, mas também encher os olhos do público durante os shows, invocando referências glam, kitsch e punk.

- Quero trazer de volta a figura da estrela do rock - afirma o pernambucano John Donovan, de 24 anos, que criou o alter ego Johnny Hooker para suas apresentações. - O lado teatral da performance anda esquecido na música nacional, mas ele é muito importante para transmitir a mensagem completa.

Com seu primeiro CD, “Roquistar”, recém lançado, John cita Iggy Pop, Ney Matogrosso e Kiss como inspirações estéticas e musicais, além dos filmes “Blade Runner” e “Laranja mecânica”. O armário performático de Johnny está cheio de botas de salto, leggings brilhantes, jaquetas de couro e correntes.

Os integrantes da hypada Banda Uó, de Goiânia, concordam com cada vírgula da afirmação de Johnny. O vocalista Mateus Carrilho diz que não consegue subir ao palco usando “roupa de ficar em casa”.

- O figurino é um dos principais elementos do nosso show. Para você se sentir um astro, entrar no clima e mandar ver ao vivo, é preciso se vestir a caráter - diz o músico de 23 anos.

A mesma mistura presente na música do trio, que une o tecnobrega brasileiro a uma atitude roqueira, existe na moda do grupo. Mateus, por exemplo, adora combinar jaquetas de couro com camisas estampadas, para dar um ar mais tropical ao look. Davi Sabbag já pintou o cabelo de cor-de-rosa, e a vocalista Candy Mel, que chama seu estilo de “um misto de Viúva Porcina com divas da MPB”, usa um festival de lenços na cabeça e gosta de colocar lingeries ousadas à mostra.

O figurino também é item de primeira importância para a vocalista da banda carioca Tipo Uísque, Pin Böner. Ela não pisa num palco sem consultar o amigo e estilista Gustavo Carvalho. O rapaz cria todas as roupas que a moça usa em shows desde a primeira apresentação, há cerca de dois anos, na Lapa. É Gustavo quem desenha as peças que fariam inveja até na diva pop americana Lady Gaga.

( Tipo Uísque)

- O estilo faz parte da banda, porque sinto que os vestidos que uso no palco ajudam na performance - comenta Pin, que usa até lentes de contato azuis para complementar o visual. - As roupas também constroem o artista. Quem não reconhece de longe o estilo roqueirão da Pitty ou o comportadinho da Sandy, por exemplo?

O estilista e a rockstar, ambos de 21 anos, já estão elaborando o look de Pin para o show da Tipo Uísque no festival Lollapalooza Brasil, dia 7 de abril, em São Paulo.

Foi durante um pequeno festival que os quatro meninos da banda Os Azuis passaram a dar mais importância ao visual do grupo. No palco de um evento com várias outras bandas, no Teatro Odisseia, na Lapa, os cariocas resolveram abraçar a extravagância. Tomado pela mesma vontade de aloprar que, nos anos 60, fez o astro Keith Richards, dos Rolling Stones, usar as roupas da namorada, o vocalista e guitarrista Greco Blue subiu no palco usando uma legging de oncinha cor-de-rosa.

- A partir daí, notamos que o público dá mesmo valor ao jeito de se vestir dos músicos. A plateia interagiu bem mais com a gente - comenta o também vocalista e guitarrista Tomé Lavigne, de 25 anos, que, na ocasião, usava um sutiã.- O cenário musical no Brasil anda muito careta, queremos surpreender. Prefiro que o público ria das nossas roupas do que fique apático - avisa Tomé.

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